sábado, 17 de novembro de 2012

Sobre a dúvida e o cuidado

Não me segurei, hoje é dia de tagarelar por aqui. Uma semana turbulenta no Brasil e em minha vida : morte de um ente querido, Walter Navarro, Guzzo na revista Veja( não veja, por favor), chuvas e mortes em BH e mais uma petulância do atual e infelizmente prefeito de BH, Márcio Lacerda( errei a escrita desse nome três vezes, de tanto asco que tenho)... daí não dá para seguir sem falar algo, é uma coisa moral mesmo.

Aos homens todo cuidado é pouco. Por mais que se descuide, sempre há o que fazer, Ortega já dizia" pois ele é um incessante, inevitável e puro fazer". Diante disso, como nos livrar do tédio? A sociedade nos leva a um permanente caos e devemos estar preparados para lidar com o relegar.

Pascal escreveu em 1957, " Tédio- nada mais insuportável para o homem do que estar em repouso total,sem paixões, sem ter o que fazer, sem divertir-se, sem aplicação. Assim ele percebe seu próprio nada, seu abandono,sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio. Logo extrairá do fundo de sua alma o tédio, a perfídia, a tristeza, o desgosto, o desespero".

Achei pertinente e não se pode descuidar desse sentir o tédio. Ao passar das horas nessa  longa semana refleti: nos tempos da insegurança(h0je), a cura deve-se imprensar nas palavras que usamos. As palavras são típicas de um mundo angustiado, que a todo momento nos advertem dos limites da existência  como se nossos caminhos se estreitassem cada vez mais. Todo cuidado é pouco.

Todavia, mesmo no desamparo e despreparo do coração e da alma, quando tudo que parecia firme vacila e vai ao fundo, ainda se pode ter esperança, pois esperar é fazer o tempo vir ao nosso encontro, como se nos faltasse algo inatingível,  sem o qual não possamos viver. Isto, nesse paradoxo mesmo. As crenças com as quais vivemos são úteis no dia -a-dia, por nos permitir formar hábitos que nos libertam para coisas mais importantes. Contudo, não convém deixá-las solidificar-se, pois se tornarão um empecilho lá na frente, de difícil remoção.  Se associadas às ideias se torna uma convicção e dissociá-las seria dificilmente uma tarefa e se submeter à crítica  mais difícil ainda. 

A minha desproporção em pensares é tão grande, tem uma velocidade maior que a da luz...  não consigo terminar este texto sem deixar de esquecer o final triunfal que queria. Vaidade à parte, também um mero desespero em acreditar em dias melhores e novos valores para as pessoas, pois se a vida não é só tédio, também não é só euforia. Antônimos sempre fazem parte da nossa caminhada. Ora tristeza, ora alegria;  amor e desamor; morte e vida; mas o mais importante dessa confusão é a lassidão. Essa prostração tem de ser capaz de despertar algum anseio, algum desconforto, algum aspirar. Hoje me sinto mais preparada que ontem e menos que amanhã. Evoluindo...indo...

Desculpe-me jogar tudo à tona assim, porém,  é como me vejo, sinto. O que eu quero dizer é que mesmo com tudo errado, suscito entusiasmo de que isso passará e eu ei de crescer e aprender com a situação. Não adianta tentares me fazer engolir a seco. Vou digerindo aos poucos e na medida em que o tempo passa, vou ruminando...me torno uma pessoa menos áspera, mais paciente, e com certeza mais perspicaz. 

Que Deus abençoe e tenha misericórdia com  mais uma estrela que chegou no céu, perdoe os fracos e insolentes e que a democracia um dia se valie de verdade.